Retalhos

Quero da vida somente o bastante.
Possa eu vivê-la do jeito que vaga
A expectativa que agora me afaga,
Ao rés de sonhos e raros instantes.

Crepite dentro de mim uma chama,
Inspiração pra que eu saiba sofrer.
Dela que eu possa sorver o prazer,
Como quem chora e padece, mas ama...

Nada perturbe esse findo presente,
Na solidão do meu íntimo abrigo,
Que é onde escondo o pesar mais silente.

Preso em minh’alma o atroz inimigo,
Eu, triste e só, cá bem dentro da mente,
Possa viver de ilusão, sem perigo.

Um comentário:

Iriene Borges disse...

Esse é lindo! Versos como esses me fazem padecer... de cobiça. Quero todos. Impressos, com cheiro e textura de papel novo, pra ler na cama, e deixar cair ao lado do travesseiro...