Possa eu vivê-la do jeito que vaga
A expectativa que agora me afaga,
Ao rés de sonhos e raros instantes.
Crepite dentro de mim uma chama,
Inspiração pra que eu saiba sofrer.
Dela que eu possa sorver o prazer,
Como quem chora e padece, mas ama...
Nada perturbe esse findo presente,
Na solidão do meu íntimo abrigo,
Que é onde escondo o pesar mais silente.
Preso em minh’alma o atroz inimigo,
Eu, triste e só, cá bem dentro da mente,
Possa viver de ilusão, sem perigo.
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Um comentário:
Esse é lindo! Versos como esses me fazem padecer... de cobiça. Quero todos. Impressos, com cheiro e textura de papel novo, pra ler na cama, e deixar cair ao lado do travesseiro...
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