Êxtase e Fúria

Às vezes estou perto e não me vês,
Acercas-te de mim, também não sinto.
Eu leio as entrelinhas que não lês,
Mas fecho as portas todas, me ressinto.

Tu és claro e límpido como a manhã,
Sombria sou, qual um final de tarde.
E se por fim m'ilumino, é no afã
De alimentar uma chama que arde.

Pois somos tão opostos, Vênus, Marte, e
Somos poesia que um ao outro atrai.
Apenas aproxima-nos ess'arte,
Num êxtase, onde a fúria sobressai?

Ou nos sabemos ambos encantados
Por esse lume aceso que crepita,
Que queima e anseia em nos manter ligados,
E, ao ver-nos sós, nossos versos recita?

Um comentário:

Rudá disse...

Eu, ao contrário de você,
deixo sempre a porta aberta
noite e dia
Pois do encanto
nasceu um querer
E sem perguntas nem respostas
deixo este sonho viver,
transformado em poesia.