Minha dança

O assunto que te fez sair do sério,
A esfinge indecifrável e confusa,
Ainda sou enigma, sou mistério,
Porém deixei de ser a tua musa.

Ah, que pena eu não ter podido ser
A água que norteia a tua ilha...
A taça eu transbordei... cadê o prazer?
Não fui nem tua mãe, nem tua filha.

Contorço-me somente de incertezas,
Deslizo e danço onde não mais tu pisas,
Sumiu na água profusa o pedestal.

Estátua já sem curvas, sem beleza,
Meu corpo não tem mais sabor de brisa.
A deusa, sem altar, virou mortal.


Um comentário:

Iriene Borges disse...

É dificil descer do altar. Infelizmente sem adoração é inevitável. A imortalidade das Deusas carece de fé, temor e louvor dos mortais.