Enquanto estou em pé e sou ungida
Por ondas marulhantes, sou feliz.
Lambuzo-me na areia e, aquecida,
Eu deixo o sol beijar o meu nariz.
Da plataforma de madeira erguida,
Ao vento, corpo aberto em chafariz,
Mergulho nesse mar e sinto a vida
Regando-me: sou caule e sou raiz.
Pertenço a esse elemento, aqui me fiz,
Mas Iemanjá me vem e assim me diz:
Para eu nunca esquecer-me já na ida
Da volta, pois eu mesma fui que quis
Estar inteira aqui, não ver saída,
Fingir lavar no mar a mi’a ferida.
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