Ao me afastar sempre me rasgo um pouco


Ao me afastar sempre me rasgo um pouco,

Pois a minha alma se colou na dele.
Plangendo nela há um soluço rouco
Que regurgito e que lhe cuspo à pele.

Vai me tomando um sentimento insano,

Barbarizado, que me amarra e prende.
Aguça a mente, poderoso arcano:
Chama que oscila nesse apaga-e-acende.

E eu sempre remendando com esmero, 

Por puro acaso consertado fica,
Pois que a costura não se faz certeira.

Por vezes, precisei no desespero,

Propósito que por si só se explica,
Assim, de súbito, rasgar-me inteira.

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